Centro esportivo Miavoye, na Bélgica

Construir um pavilhão esportivo em um antigo celeiro de fazenda provou ser um exercício de complexa conciliação entre a resistência estrutural exigida e o caráter predominante de um edifício historicamente situado em uma paisagem rural, devido às demandas relacionadas aos requisitos específicos provenientes da prática esportiva.

O desafio foi realizado com sucesso, na antiga propriedade rural de Miavoye, em Onhaye, no sudeste da Bélgica.

Vista geral do antigo celeiro já transformado em centro esportivo.

Vista geral do antigo celeiro já transformado em centro esportivo.

Em razão das características do celeiro da antiga fazenda, o projeto arquitetônico levou à implementação de uma quadra poliesportiva (44 m x 22 m), onde antes ficava um quintal, e de três salas de eventos e uma lanchonete nas áreas laterais da edificação. Outra preocupação foi com a preservação da tipologia do edifício, e sua restauração em conformidade com seu caráter rural, o que limitou bastante as intervenções.

Sistema construtivo

O aço, rapidamente, se estabeleceu como o principal produto do projeto, aliado ao concreto. A construção foi coberta com um telhado feito de bandejas de aço autoportantes cobertas com chapas de aço e sustentado por uma estrutura de aço extremamente leve. Uma claraboia periférica reforça a impressão de leveza e faz com que o telhado pareça flutuar sobre as paredes.

A estrutura de aço do telhado dá leveza à área da quadra poliesportiva.

A estrutura de aço do telhado dá leveza à área da quadra poliesportiva.

Os projetistas optaram por este sistema construtivo devido à significativa extensão do telhado, com cerca de 25 m e, portanto, curvo, para alcançar a altura necessária para aprovação pelos órgãos reguladores belgas, começando com uma altura menor nos beirais.

Nas extremidades desta estrutura da cúpula, foram colocadas vigas de madeira laminada colada, que formam uma corrente para evitar pontes térmicas.

Estrutura de metal

A indústria metalúrgica Techno realizou todo o trabalho relativo à estrutura de metal: estudos geométricos, planos gerais, estudos e montagem de planos, oficina de fabricação, tratamento em uma oficina de pintura terceirizada, transportes especiais para o local e instalação.

Parte da estrutura do telhado em montagem nas instalações da Techno.

Parte da estrutura do telhado em montagem nas instalações da Techno.

Os elementos estruturais utilizados foram os seguintes: nove vigas principais, medindo 25 m; quatro vigas avançadas; e dez vigas secundárias, totalizando 22 toneladas de aço grau S355. Em toda a estrutura foi feita a aplicação de tinta intumescente, que é resistente ao fogo. Perfis em forma de L foram soldados na parte superior das treliças tubulares, para acomodar os elementos do telhado.

A realização deste projeto foi bastante difícil, em razão das restrições à modernização. Além disso, o manuseio e a montagem foram complicados, devido ao peso dos elementos. Mas o resultado é uma verdadeira obra de leveza estrutural com formato complexo, tudo associado à conservação dos elementos rústicos da antiga estrutura.

Cobertura

Para compor a estrutura metálica do telhado, a HD Systems utilizou o GlobalRoof, sistema de cobertura composto por três componentes principais: bandejas de suporte de aço, isolamento e, como camada externa, chapas de metal.

Montagem da cobertura do telhado, já com as bandejas recebendo os elementos de isolamento.

Montagem da cobertura do telhado, já com as bandejas recebendo os elementos de isolamento.

As bandejas do forro (Hacierba 160.600 HR da ArcelorMittal Construction) são feitas com chapa de metal, espessura de 0,75 mm, prepintadas e já com furação. Seu formato único permite que ela tenha uma carga nominal para ser utilizada em grandes vãos e disponha de cavidade para receber camada de isolamento, ao mesmo tempo em que apresenta uma superfície lisa quando vista do interior do edifício. Foram necessárias 223 peças com comprimentos que variam de 1 m a 10,5 m, e peso total de 9.447 kg.

Devido ao forte ruído aéreo da região, que se amplia neste tipo de pavilhão, foi preciso duplicar o isolamento: com 25 mm de lã de rocha para isolamento acústico, e 140 mm de lã de vidro para isolamento térmico, com uma barreira de vapor entre as duas camadas.

O teto é recoberto por uma camada externa de aço: 174 folhas com comprimentos variando de 1 m a 7,67 m, peso total de 8.167 kg. Foram utilizadas folhas de aço curvas prepintadas com espessura de 0,75 mm. Estas folhas têm formato trapezoidal, que dão ao telhado resistência para suportar o seu próprio peso em cargas de neve, que ocorrem durante o inverno naquela região. Neste caso, a chapa perfilada utilizada foi a NERVESCO 3.45.1000, também produzida pela ArcelorMittal Construction. A disposição das folhas e sua sobreposição nas articulações possibilitaram uma colocação perfeita num espaço complexo e apertado.

Telhado totalmente pronto, já com a camada externa feita com folhas de aço.

Telhado totalmente pronto, já com a camada externa feita com folhas de aço.

Aspectos sustentáveis

Os projetistas prestaram especial atenção à gestão de energia do edifício.

Em primeiro lugar, a construção foi totalmente isolada a partir do interior, para limitar as perdas de calor. As energias renováveis foram colocadas no centro das atenções.

Em relação à água, o objetivo foi o de dar autonomia às necessidades de uso, com a coleta de águas das chuvas e armazenagem em grandes tanques.

Painéis solares aquecem a água para os chuveiros e 25% da energia elétrica consumida no local é fornecida por painéis fotovoltaicos. A ventilação é garantida por um sistema mecânico de fluxo duplo, localizado no sótão da construção. Durante o inverno, todo o complexo é aquecido por duas caldeiras.

Fontes

http://www.onhaye.be/loisirs/infrastructures/complexe-sportif-et-associatif-de-miavoye

Infosteel.be

http://www.constructalia.com/english/case_studies/belgium/miavoye_sports_centre#.V5-8_PkrLcc

Crédito das imagens

Serge Brison, Technometal, HD Systems

Deixe um comentário