Passagens viárias subterrâneas

Natal é uma cidade localizada na região nordeste do Brasil. Capital do estado do Rio Grande do Norte, tem 803.739 habitantes (dados de 2015). Suas praias e a temperatura propícia para um mergulho o ano todo fazem da cidade um dos mais desejados destinos turísticos do país, atraindo também milhares de turistas do mundo todo.

Os jogos da Copa do Mundo de Futebol do Brasil, em 2014, exigiram obras de reestruturação viária na cidade, incluindo seis passagens subterrâneas e dois viadutos, projetos com valor aproximado de US$ 96 milhões.

Uma das seis passagens subterrâneas, em fase de acabamento.

Uma das seis passagens subterrâneas, em fase de acabamento.

As seis passagens subterrâneas ligaram diversos trechos no entorno do estádio construído para a Copa, a Arena das Dunas, cujo nome remete às diversas e espetaculares dunas de areia que rodeiam a Cidade do Sol, como Natal é conhecida.

Um projeto inovador

O projeto do complexo viário é do escritório paulista Maffei Engenharia, que utilizou o software AM-Retain para calcular os esforços nas paredes dos túneis, feitas com estacas pranchas. O AM-Retain foi desenvolvido pela nossa unidade de Luxemburgo em parceria com o Terrasol, escritório de consultoria de engenharia geotécnica, sediado na França.

Seção transversal da passagem subterrânea.

Como fator de segurança para o solo arenoso do local, foi usado um ângulo de atrito interno φ=29° e adotada uma sobrecarga de 10kN/m². A obra foi projetada para 50 anos e uma pintura com objetivo apenas estético foi feita nas estacas pranchas.

 

Passagem concluída, com estacas prancha pintadas.

O aço na estrutura dos túneis

A construção dos seis túneis, realizada em consórcio pelas construtoras Queiroz Galvão e Ferreira Guedes, foi concluída em apenas seis meses, comprovando uma das maiores vantagens das estacas pranchas para esse tipo de obra: a velocidade de execução.

Os túneis e as alças de acesso consistem em estruturas de contenção e fundação constituídas por estacas pranchas modelos AZ 19-700 e AU 14, ambas feitas de aço S430GP, com comprimentos de 9 m, 10 m, 12 m e 14 m, conectores E22 e Omega 18, totalizando 2.356 toneladas de peso.

Perfis duplos AZ 19-700 (à esquerda) e AU 14 (à direita).

Perfis duplos AU 14 (acima) e AZ 19-700 (abaixo).

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Originalmente pensado com paredes diafragma, o projeto foi alterado para estacas pranchas pelas seguintes razões:

  • Redução do prazo de execução da obra – as estacas pranchas foram cravadas em uma velocidade impressionante;
  • Canteiros de obras mais limpos – sem necessidade de lama bentonítica e, consequentemente, de espaços para silos de lama;
  • Independência de uma usina de concreto – gargalo existente devido à baixa oferta de concreto em Natal – e acabamento, com aparência da cortina muito agradável.

A execução

Para a Instalação das estacas prancha foram utilizados três martelos vibratórios ABI 13-16 24VV e ABI 14-17B 30VV, que viabilizaram a rápida instalação das estacas prancha no solo, com produtividade média de 170 estacas por dia.

Estacas prancha cravadas, ao fundo o Estádio das Dunas.

Estacas prancha cravadas, ao fundo o Estádio das Dunas.

As estacas pranchas metálicas provaram, através deste projeto, ser uma excelente escolha para obras urbanas, com baixo impacto nas estruturas do entorno, principalmente devido à sua incomparável velocidade de execução. Esse fator foi decisivo para o sucesso da obra, que teve seu prazo de execução garantido, contribuindo para que os jogos da Copa do Mundo em Natal fossem sucesso absoluto.

Mapa da região com indicação das áreas trabalhadas no projeto.

Mapa da região com indicação das áreas trabalhadas no projeto.

Ficha técnica

Cliente: Prefeitura de Natal

Projetista: GP Consultoria e Projetos de Engenharia Civil Ltda.

Construtora: Consórcio Construtoras Queiroz Galvão e Ferreira Guedes.

Subcontratado: Maffei Engenharia.

Estacas Prancha: AZ 19-700 e AU 14.

Conectores E22 e Omega 18.

Comprimentos: 9 m, 10 m, 12 m e 14 m.

Tipo de aço: S430G.

Volume de aço: 2.356 toneladas.

1 comentário de “Passagens viárias subterrâneas

  1. Edmar de Oliveira
    23 de maio de 2016 às 14:01

    Muito interessante e de fácil compreensão.

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